Vida Religiosa Vicentina

Espiritualidade Vicentina

Espiritualidade Vicentina

Elizabeth de Robiano teve toda a sua formação com os jesuítas, mas da sua dedicação aos pobres foi eminente o encontro com a espiritualidade de São Vicente, tido por ela como alicerce para coordenar e orientar a Congregação que nascia do ardor em responder as necessidades dos pobres, embora Irmã Barbara tivessem trazido consigo as regras de vida da Congregação de onde viera, Elizabeth foi buscar na Congregação das Filhas da Caridade, Instituto fundado por São Vicente as regras para organizar as estruturas necessárias para as novas Irmãs Vicentinas, pois a exemplo de São Vicente, Elisabeth tinha clareza de que sua missão era a de evangelizar e promover os pobres.

 

As regras eram compostas por um conjunto de 90 páginas que dava as constituições do início da Congregação. Entretanto Elizabeth tem a sua contribuição na construção no documento e atualiza 200 anos depois do início do carisma vicentino no mundo com as seguintes palavras:

 

“A principal finalidade para qual Deus convocou e reuniu as filhas da caridade é para honrar Jesus Cristo nosso senhor como fonte e modelo de toda caridade. Servindo-o corporal e espiritualmente na pessoa dos pobres, sejam doentes, sejam crianças, sejam prisioneiros ou outros que por modéstia não ousam fazer aparecer sua necessidade...”

 

“Servindo-o particular corporal e espiritualmente nos pobres e de maneira particular e principalmente nas crianças mais pobres.”

 

É indubitável que as ideias de São Vicente inspiraram a Senhora Baronesa de Robiano. O cerne da espiritualidade vicentina é promover os pobres, não há como ser uma Irmã Vicentina e não trazer consigo a alegria de servir aos pobres.

 

Venha experimentar essa espiritualidade e deixe fazer parte de sua vida o encantamento de estar com Irmãs Vicentinas servindo os pobres.

 

UM POUCO MAIS DA ESPIRITUALIDADE VICENTINA

 

A Espiritualidade de São Vicente de Paulo na pureza de suas próprias palavras.

 

A espiritualidade vicentina pode ser definida por três ideias que são a coluna vertebral de toda a Espiritualidade Vicentina:

 

- identificação com a vontade de Deus;

- união a Jesus Cristo que se revela nos pobres;

- vivência afetiva e efetiva do grande amor de Deus pelos homens, especialmente pelos pobres.

 

São Vicente não foi um santo, dos êxtases inflacionados, de visões e das vivências psicologicamente individualistas. Seu amor tinha fé, era cruz e entrega, tinha corpo e alma, mãos e rostos suados. Para compreender um pouco mais vamos refletir juntos com São Vicente. Suas palavras nos conduzirão para a admiração que só nasce diante da pureza e beleza de um coração grande e transborda amor e fé nas pessoas.

 

I. Identificação com a vontade de Deus para São Vicente

 

Nas suas palavras São Vicente traz alguns pensamento que nos auxiliam a entender seu amor a Deus e aos pobres:

 

- “A perfeição não consiste em êxtases, mas em fazer bem a vontade de Deus”.

- “É preciso santificar as ocupações, buscando a Deus e fazê-las para O encontrar, mais do que para as ver realizadas”.

- “O exercício de fazer sempre a vontade de Deus é o mais excelente de todos os exercícios… e, se existe qualquer outro exercício que leva à perfeição, estará eminentemente incluído neste”.

- Vede as disposições inteiramente santas de Nosso Senhor, nas quais Ele passa sua vida e as bênçãos que acompanham tudo aquilo que Ele faz. Considera somente Deus e é Deus que te conduz em tudo e por toda a parte, de sorte que podes dizer com o profeta: Seguraste-me pela mão e me guiaste segundo a tua vontade”.

 

II . União total e absoluta a Jesus Cristo

 

São Vicente não concebia uma adesão a Cristo sem obras, pois exemplo de São Thiago “toda fé sem obras é morta”(Tg 2,26)

 

- “Nosso Senhor é a suavidade eterna: e é por esta mesma virtude que devemos agir para ir até Ele, conduzindo a Ele os outros”.

- Não detenhais vossa vista naquilo que acontece, mas olhai a Nosso Senhor, junto a vós e em vós, e vereis que tudo irá bem”.

- “Servindo aos pobres, servimos a Jesus Cristo na pessoa dos pobres. Isto é tão verdade como o fato de estarmos aqui. Uma irmã irá dez vezes ver os doentes, dez vezes por dia ali encontrará a Deus… Ide ver os pobres forçados, ali encontrareis a Deus”.

 

III. A Vivência afetiva e efetiva do amor de Deus

 

A caridade no impele a sair de nós mesmos e irmos ao encontro do outro que sofre e chora pela pobreza e exclusão.

 

- “A caridade faz ir até Deus, é ela que faz com que O amemos com todo o entendimento e com toda a afeição, que desejemos que Ele seja amado e servido por todos”.

- “O amor efetivo consiste em fazer as coisas que a pessoa, a quem se ama, manda e deseja; e é desta sorte amor que fala Nosso Senhor: ‘Se alguém me ama, guarda as minhas palavras’”.

- “Deveis muitas vezes pensar que vossa função principal e o que Deus vos pede, particularmente, é terdes um grande cuidado de servir os pobres, porque são nossos senhores. Oh!, sim, minhas irmãs, eles são nossos mestres…”.

- “Tornar Deus conhecido dos pobres, anunciar-lhes Jesus Cristo, dizer-lhes que o Reino dos céus está próximo e que ele é dos pobres. Oh! Como isto é grande!”

- “Deus ama os pobres e, por conseguinte, ele ama os que amam os pobres; pois, quando se ama alguém de verdade, tem-se afeição por seus amigos e seus servos”.

- “Se perguntarmos a Nosso Senhor: o que veio fazer na terra? Assistir os pobres! … Mais alguma coisa? Assistir os pobres! … Nada para ele era mais importante que trabalhar para os pobres. Quando ia a outros, ia de passagem… “.

 

DEVOÇÕES AS IRMÃS VICENTINAS

 

SÃO VICENTE DE PAULO – Pai da caridade

 

Vicente de Paulo nasceu na cidade de Pouy, na França, aos 24 de abril de 1581. Filho de pobres camponeses, manifestou o desejo e gosto para o estudo. Entrou para o seminário e foi ordenado padre ainda bem novo, com apenas 19 anos de idade.

 

O início de sua vida sacerdotal foi marcado por muitas dificuldades e desacertos. Inicialmente, estava muito preocupado em ajudar sua família e em conseguir certa estabilidade financeira. Diante de uma série de fracassos, foi amadurecendo e, sobretudo a partir de 1612, se lançou inteiramente no serviço aos pobres.

 

Em contato com os camponeses, conheceu o estado de abandono religioso e miséria em que viviam as populações do campo. Percebeu que os pobres tinham necessidades urgentes e que, para ser fiel a Cristo, era preciso servi-los. Começou, então, a pregar missões entre os pobres e a organizar diversas organizações de caridade.

 

Passando a residir em Paris e enfrentando uma época de guerra, confusão política, de grandes problemas sociais e de desorganização da Igreja, Pe. Vicente de Paulo passou a se dedicar inteiramente à evangelização e serviço dos pobres. Para este fim, fundou a Congregação da Missão e a Companhia das Filhas da Caridade. De muitas maneiras e com criatividade, desenvolveu uma intensa ação caritativa e missionária, sempre contando com os padres e irmãos de sua Congregação, com as irmãs de Caridade e com muitos leigos e leigas generosos.

 

Entendia que o pobre é a imagem de Cristo desfigurado a quem devemos servir. E a Igreja deve estar a seu serviço. Por isso, atuou na reforma da Igreja, sobretudo muito colaborando na reforma do clero.

 

“Voltemos nossa mente e nosso coração para São Vicente de Paulo, homem de ação e oração, de organização e de imaginação, de comando e de humildade, homem de ontem e de hoje. Que aquele camponês das Landes, convertido pela graça de Deus em gênio da caridade, nos ajude a todos a pôr mais uma vez as mãos no arado – sem olhar para trás – para o único trabalho que importa, o anúncio da Boa Nova aos pobres…“

 

Foram todas estas inspirações que fizeram a Baronesa Elisabeth de Robiano devota de São Vicente e nós Irmãs Vicentinas levamos esse legado com muita devoção.

 

Oração de São Vicente

 

Glorioso São Vicente, celeste padroeiro de todas as associações de caridade e pai de todos os infelizes que, enquanto vivestes sobre a terra, nunca faltastes àqueles que se valeram de vossa proteção; vede a multidão de males de que estamos oprimidos e correi em nosso auxílio; alcançai do Senhor Socorro para os pobres, auxílio aos enfermos, consolação aos aflitos, proteção aos desamparados, conversão aos pecadores, zelo aos sacerdotes, paz à Igreja, tranquilidade aos povos e a todos Salvação.

 

Sim, que todos experimentem os efeitos de vossa benéfica intercessão, e que, socorridos assim por vós nas misérias desta vida, possamos reunir-nos convosco lá no céu, onde não haverá mais tristeza nem. Lágrimas, nem dor, mas uma alegria, uma bem-aventurança eterna. Amém.

 

NOSSA SENHORA DOS POBRES - BANNEUX

 

A aldeia de Banneux, na Bélgica, encontra-se a 25 km da cidade de Lieja. O local não possui nenhuma atração turística. Na rodovia que vai de Louveigné a Pepinster, a um quilômetro da igreja paroquial, encontra-se uma modesta casa de operários onde vive a família Becó. Úmido e pantanoso, o lugar é conhecido como "La Fange". Diante da casa há uma pequena horta.

 

Em 1933, a família compunha-se dos pais e doze filhos. A mais velha, Mariazinha (Mariette Beco). Era a mais velha de seus 11 irmãos, nascera a 25 de março de 1921. A família de Mariette não praticava a religião, sendo seus membros católicos apenas de nome.  Nesse ambiente, que não era hostil à religião mas vivia num clima de indiferentismo religioso, a vidente fizera a primeira comunhão e por vezes rezava, antes de dormir, algumas orações num Rosário que havia encontrado por acaso.

 

Nossa Senhora dos Pobres

 

No dia 15 de janeiro de 1933, um domingo de inverno repleto de neve, Mariazinha, por volta das sete horas da noite, olha pela vidraça da janela da cozinha seu irmão Juliano que retorna após ter saído com seus companheiros.

 

Repentinamente a menina vê uma formosa Senhora, toda resplandecente. É a Santíssima Virgem que a convida a aproximar-se. A mãe a proíbe e a Senhora desaparece. Três dias depois, novamente às sete horas da noite, Mariazinha sai de sua casa e a Virgem lhe aparece pela segunda vez.

 

A aparição retorna outras seis vezes, a partir de 15 de janeiro até o dia 2 de março. Revela-se como a Virgem dos Pobres e manifesta a Mariazinha o desejo de que se construa uma capela e se reze muito.

 

Também afirma que uma fonte de água está à disposição de todos, especialmente dos enfermos. Finalmente revela-se como a Mãe de Deus.

 

Oração a Nossa Senhora de Banneux (Também conhecida como Nossa Senhora dos Pobres)

 

Virgem Dos Pobres, há muito tempo, vieste até nós, chegaste a este canto selvagem e solitário e, desde então, não cessaste de vir, dás sinais a cada um de nós, e nos chamas em nossa caminhada.

 

Tu nos sorris, sem nada dizer, e caminhas à nossa frente.

 

Tu nos conduzes pelos bosques, onde assobia o vento, onde sopra o Espírito, onde jorra a água dos lagos escondidos.

 

Virgem dos Pobres, nos te agradecemos por teres vindo e por continuares a vir a fim de aliviar a nossa solidão e de nos recolocares no caminho certo, para dissipar nossas dúvidas e angústias e nos oferecer acesso às Bem- aventuranças.

 

Virgem dos Pobres, ensina-nos a orar mais intensamente, a crer sem reserva, sem qualquer dúvida, a gritar do fundo de nossa baixeza, pobres e pecadores que somos, prisioneiros do próprio conforto, para que possamos abrir nossas portas, nossas fronteiras, nossos corações aos apelos de Deus e às angústias de nossos irmãos.

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